sábado, 12 de setembro de 2009

Pulo ( husband)

Eu também pulei. E não foi por ansiedade, ou desejo. Eu pulei. E não quis lembrar-me do antes. Eu apenas pulei, não para baixo, nem para trás. Só queria conhecer os algodões doces que no céu passeiam.
Eu quis tocar no sol, mas meu dedo se queimou. Também quis tocar no mar, que em baixas temperaturas o meu corpo congelou. Quis subir na montanha, mas o ar rarefeito não deixou. Tentei voar, mas a gravidade me derrubou. Tentei parar de rimar, mas não sei bem o que aconteceu. As palavras já não são mais as mesmas, talvez você... Ou eu? Não sei, -e volto a repetir,- mas parece que tudo mudou, já não vemos mais o mesmo sorriso bobo por aqui. O que mudou? Novamente não sei, é difícil responder as perguntas que faço a mim mesmo. E com esse peso é difícil dissertar, a palavras voam sem parar. Talvez pousem amanhã, ou depois, nunca se sabe. Afinal um sonho nem sempre vira uma realidade e um amor nem sempre é concretizado. Não rimou? É verdade. Mas se houver contradição talvez anule a saudade, esconda paixão e apague a sinceridade.
Porque escrito a base de sangue o conteúdo fica mais vivo. E a emoção transcrita nos versos pode deitar-se no chão. Eu piso.
Acabei escorregando nela, e sentado no chão cantei mais uma sentinela. A senhorita distância morreu hoje e acenderam algumas velas. Pensei em não ir ao enterro, mas devo confessar isso sim eu quis.
Eu nunca quis tudo, mas o nada não me satisfaz. Eu nunca quis ficar cercado, mas a solidão às vezes tira a paz.
Já mudei de novo e nem percebi. Se tiver medo, eu ainda estou aqui. Se a duvida ainda existe, também existe alguém a quem se pode ouvir. E se mudei de novo, pensando no melhor eu o fiz. Porque assim como você eu também pulei.
Não por ansiedade, ou desejo. Eu pulei. E não quis lembrar-me do que antecedeu. Eu apenas pulei, não para baixo, nem para trás. Só queria provar para você que as nuvens são feitas de açúcar.

Um comentário:

Bruna Trindade disse...

Booom...Eu gostei do seu texto. A única diferença entre o seu eu-lírico e o meu eu-lírico(que não implica em ser EU propriamente dita), é que o meu pulou para o mar, essa imensidão azul e transcedental, obra do Criador, onde se vê nitidamente a presença dEle, e o seu pulou pra ver as nuvens(de algodão doce?), o que não deixa de ser, também, obra dEle!
É só.